A Solidão e os desafios de um imigrante
- Rafael R. Foltram

- 3 de mai. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 21 de out. de 2024

Migrar é um fenômeno que acompanha nossa espécie (e muitas outras) desde sua origem. É por conta desse movimento que nos espalhamos pelo mundo e chegamos onde estamos. Mas não é porque já nos estabelecemos em cada canto deste mundo que deixaríamos de lado este movimento. Mesmo com todo nosso histórico de migração, essa mudança não vai ser necessariamente uma decisão fácil de se tomar.
Há vários motivos que fazem com que as pessoas escolham se mudar de país: ir atrás de melhor qualidade de vida, tentar “começar do zero” em outro lugar, se sentir mais seguro, se sentir deslocado do lugar de onde veio.
Outros motivos que levam as pessoas a imigrarem, que podem ser abordados em futuros textos, nem sempre se justificam a partir de escolhas. A fuga de pessoas por conta de situações de guerra, fome e crises econômicas podem colocar o indivíduo em uma posição em que ele se vê obrigado a abandonar seu lar de origem para se proteger.
Em resumo, dificilmente a imigração é uma decisão fácil de se tomar. Mesmo depois que esse movimento for concluído e a mudança feita, viver como imigrante traz por si só, desafios peculiares que são difíceis de serem pensados e geralmente passam batido até o momento que eles vêm à tona na vida do imigrante.
Quando falamos de imigração, antes de falar do destino, em primeiro lugar estamos falando de um lugar de origem. Estamos falando de um lar, de uma cultura, de uma rede de apoio, de um lugar que a pessoa entende com uma intimidade e conforto como as coisas à sua volta funcionam. Assim, a decisão de imigrar é também uma decisão de abdicar deste lugar de lar, o que pode levar a uma sensação de vulnerabilidade, podendo evocar sentimentos de solidão e isolamento.
Junto a isso, outras questões podem levar o imigrante a não se sentir bem-vindo ou pertencente ao lugar que mora. O exemplo mais claro disso é a xenofobia. A xenofobia, o medo e o ódio em relação aos estrangeiros, é uma realidade triste que muitos imigrantes enfrentam em suas novas comunidades.
Esse tipo de discriminação pode se manifestar de várias formas: desde insultos em locais públicos ou no ambiente de trabalho, podendo escalar até a agressões físicas. Essa triste realidade só reforça nos imigrantes as sensações de isolamento, solidão e a triste falta do sentimento de pertencimento a um lugar, a uma comunidade, coisa que se espera construir em um novo lugar mas, que muitas vezes, apenas ficou para trás.
Se já é difícil deixar toda a sua casa, a sua família, a sua história para trás em busca de algo novo, mais difícil ainda é quando se percebe que cada pequena situação, cada pequena coisa neste novo espaço será mais difícil do que se imaginava inicialmente.
É por isso que para todos os tipos de dificuldades que imigrantes possam estar passando, é sempre importante lembrá-los que não estão sozinhos. Cidades com polos de imigração tendem a conter comunidades multiculturais. Esses conjuntos vão se formando de forma orgânica a partir de imigrantes de origens próximas, que se agrupam em bairros ou distritos de uma região da metrópole, como uma forma de combater o sentimento de alienação, tão presente entre esse grupo.
Se aproximar dessas comunidades de imigrantes em que você possa sentir uma identificação é um dos passos que pode ser tomado para combater a solidão da imigração, mas o trabalho não para por aí. Precisamos pensar em mecanismos para criar e manter redes de apoio para o imigrante se sentir ancorado em sua identidade com o lugar.
A gente só consegue criar um lar quando a gente se vê nesse lar.
Existem outras formas que podemos pensar para facilitar a criação dessas âncoras de identificação: construir um grupo de amigos; aprender a língua do local; participar de eventos culturais locais; frequentar algum tipo de ambiente que te insere num grupo, como por exemplo grupos de discussão de livros, grupos religiosos, voluntariados, cursos de ensino.
Claro que, se estabelecer em um novo lugar, desenvolver novos hábitos e paixões que te conectem à sua nova realidade, conhecer pessoas que te façam bem, são todos processos fundamentais para se adaptar a um novo país, contudo, nunca se esqueça de olhar para trás.
Se esforçar para manter contato com os seus amigos e familiares é algo muito importante para minimizar o sentimento de que você está sozinho. Mesmo que fisicamente você se sinta dessa forma, nunca se esqueça das pessoas que estão torcendo pelo seu sucesso e pela sua felicidade e conte com elas como parte fundamental das suas interações do dia-a-dia.
Todos sabemos como conhecer novas pessoas e criar novos laços se torna algo bastante difícil na vida adulta, por isso, não existe vergonha caso você leve um bom tempo até encontrar pessoas que te fazem bem onde você está, e até lá passar noites fazendo chamada de vídeo com amigos e familiares do lugar de onde você veio.
Pense o quão o processo imigratório em si já é algo que drena a sua energia, que exige de você uma força muito grande. É importante identificar quais são as pequenas coisas que podem te trazer conforto para que assim, você consiga ter a cabeça no lugar e energia para encarar os desafios um de cada vez.
Se você é um imigrante que está lutando para se ajustar a uma nova vida em um novo país, saiba que você não está sozinho. Estou aqui para ajudá-lo a enfrentar os desafios da imigração e juntos, podemos pensar em estratégias que fazem sentido para você e que te ajudem a se sentir pertencente onde quer que você more. Entre em contato hoje mesmo e vamos começar essa jornada juntos.




